Retirando as Armaduras

 

 

Quantas vezes nos vemos reclamando de que a pessoa que está 

ao nosso lado não nos entende como gostaríamos que nos entendesse? 

Muitos de nós, em algum momento de nossas vidas, tivemos essa queixa. 

Quando a pessoa que escolhemos para partilhar a nossa vida não 

consegue nos compreender, entrar no nosso íntimo, perceber como

 estamos nos sentindo, tendemos a culpá-la pela falta de sensibilidade 

ou a falta de esforço para entender o que estamos querendo dizer.

Nos esquecemos, no entanto, de nos perguntar se estamos realmente 

falando clara e abertamente sobre o que está nos incomodando. 

Tentamos, uma infinidade de vezes, dialogar e jogamos para fora

 uma enxurrada de palavras em cima do outro na ânsia de que ele

 seja capaz de decifrar os nossos sentimentos mais íntimos.

Dialogar é a palavra da moda! 

Não nos damos conta de que dialogar é muito mais difícil 

do que imaginamos porque, esta palavra, impõe que sejamos sinceros,

 que tenhamos um discurso aberto e que, de fato, nos entreguemos ao outro.

Isso nos soa como se estivéssemos entrando numa armadilha. 

Se nos deixarmos conhecer profundamente, com nossas qualidades 

e com nossos defeitos, isso pode, a qualquer momento, 

se transformar numa arma nas mãos do outro. 

É exatamente aí que reside a dificuldade em dialogar com o outro, 

no medo de nos expor, de retirar as nossas armaduras, que são a nossa defesa.

Quando nos despimos delas, deixamos que o outro nos veja inteiros, 

como somos realmente, sem enfeites e a parte de nós que escondemos, 

que não amamos, também é oferecida a ele.

Isso nos deixa receosos de que o outro não nos aceite, não nos ame 

porque nós mesmos não conseguimos aceitar essa parte de nós. 

Quando nos abrimos, estamos oferecendo ao outro a nossa parte mais sensível, 

a que dói mais, a que nos atinge da pior forma e esse medo é explicável.

Como tirar a roupa para uma outra pessoa se nem ao menos somos capazes 

de nos olhar no espelho por completo? 

O que precisa estar na nossa mente é que quando nos entregamos assim,

 o outro começa a perceber o quanto de amor e confiança há nesse gesto 

e pode dividir esse medo conosco.

O amor cresce porque a partilha desse medo e dessa entrega propõe 

conhecimento e encontro, um encontro consigo mesmo, um 

encontro com  o outro e um conhecimento individual e, 

ao mesmo tempo, mútuo. 

Dialogar abertamente, despir-se com sinceridade, mesmo que isso nos leve 

somente a um passo adiante, a um mínimo conhecimento do outro 

e de nós mesmos, sempre terá valido a pena pois isso é um exercício 

para vencer as restrições, os medos e nos entregarmos para que possamos 

estar em sintonia com o outro e para que haja harmonia em nossa relação.

Todos somos capazes de dialogar, este é um dom que todos nós temos, 

basta somente disposição e muita vontade de acertar. 

Autor Desconhecido

 

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