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***O
REINO DO CORAÇÃO***
Conta-nos uma lenda, que existia em um reino muito distante,
uma grande
quantidade de terras que se perdiam no horizonte e iam muito
além das
montanhas.
Chamava-se "o reino do coração". Uma jovem senhora
recebera de Deus a
incumbência de cuidar e administrar, como quisesse, toda
aquela imensidão
de
terras.
Para se ter uma idéia, ela possuía mais terras do que o próprio
rei.
A jovem senhora sempre soube administrar com maestria todos os
setores
do
reino do coração que lhe pertenciam.
Era uma mulher bondosa e, mesmo contra a vontade de muita
gente, ela sempre
distribuía alguns hectares de sua propriedade para as pessoas
simples que
batiam à sua porta.
As pessoas pediam para ficar um tempo e acabavam
se demorando,
se demorando
até se instalarem de vez.
Tudo corria maravilhosamente bem até que chegou um posseiro e
quis morar
nas
terras do coração que ela mais gostava: "as terras da
afetividade".
Aproveitando-se da ausência da senhora, que viajara por algum
tempo, esse
posseiro se apoderou do seu recanto mais precioso, onde ela
cultivava as
flores da paixão, da cumplicidade, do companheirismo e de
muitas outras
flores relacionadas ao sentimento.
Quando ela retornou, ficou bastante surpresa ao ver que aquele
forasteiro
havia se instalado ali.
No entanto, ele não era um forasteiro qualquer,
era como um
raio de sol, e
ao seu suave toque todas as flores se abriam
e começavam a
exalar um perfume
inebriante.
Com a presença daquele homem incomum, o recanto secreto da
jovem
senhora
se
tornou o mais belo de todo o reino.
A administradora não teve como recusar a permanência daquele
posseiro
singular, pois sua presença havia mudado para sempre os
jardins dos seus
mais secretos sentimentos...
No entanto, um dia... um dia que a jovem senhora não mais
poderia esquecer,
seu jardim amanheceu sem brilho e sem perfume...
Parecia que o inverno chegara mais cedo..., e um frio extemporâneo
havia
crestado todas flores...
A dona das terras quis saber o motivo e seu pequeno-grande
coração quase
desfaleceu ao saber que seu raio de sol havia partido...Ela saiu a buscar
por todos os cantos do seu reino, mas não
mais o
encontrou.
A tristeza quis tomar posse do seu recanto precioso, mas ela
insistia em ter
de volta o toque suave do seu raio de sol, único capaz de
trazer novamente
o
viço e o perfume às flores.
No entanto, numa manhã... numa manhã que a jovem senhora não
mais
poderá
esquecer, seu raio de sol voltou... mas não voltou para
ficar...
Ele propôs uma condição: poderia apenas visitar aquele
recanto de paz e amor
a cada início de primavera, para beijar todas as flores pelas
quais nutria
imenso carinho.
Apesar de sentir-se triste por não ter seu raio de sol em
todas as estações,
a jovem senhora aceitou as condições.
E é assim que a cada início de primavera o raio de sol beija
as flores
e
elas se abrem, e exalam seu inebriante perfume como todas as
flores
cultivadas pelo amor de alguém muito especial.
***
Se você não tem ninguém
para
compartilhar seus sonhos,
seus desejos, seus anseios, abra as
portas do
reino do coração e libere
as terras onde possa brotar a
esperança.
Cultive a esperança de um dia encontrar, como a jovem senhora
da lenda,
um
raio de sol que possa aquecer para sempre o seu recanto de
amor.
Texto da Equipe de Redação do Momento Espírita.
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