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Esse mundo virtual tem muitas coisas
interessantes e isso não é nenhuma novidade.
Deixemos de lado a banda podre: os invejosos, os
caluniosos, os plagiadores, os desnorteados em
geral e falemos das boas coisas que aqui
acontecem.
Estou falando dos grupos onde as amizades
verdadeiras nascem e se fortificam. Pessoas de
lugares distantes, sem nunca terem um contato
físico, tornam-se mais íntimas do que os
próprios familiares.
Contam-se coisas que pais, irmãos, filhos e
cônjuges nem mesmo imaginam. Pode-se ficar
quieto e apenas ler as mensagens trocadas, mas
logo alguém nota a ausência prolongada e chama
pelo amigo que está afastado.
Sabe-se dos problemas dos filhos: um está
doente, outro muito rebelde; e de suas vitórias:
uma passou no vestibular, aquele acabou o curso
da faculdade e tem ainda os que saem de casa
porque casaram ou para fazer um curso que
sonharam. Haja tempo para dividir alegrias e
dissabores!
E os maridos? Ah! os maridos...eles são
ausentes, chatos, ou são carentes, exigentes,
caretas, ranhetas, muitas vezes picaretas
E as separações? Óh! Dor! A angústia, a solidão,
a tristeza, tudo temperado com lágrimas.
E a solidão que invade as noites dos
desacompanhados? Haja poesia para esvaziar
tantos corações aflitos!
E as doenças? Crises de coluna, um caroço no
seio que deve ser retirado, um coração falhando,
um pulmão pedindo socorro por tantos cigarros
fumados. Quando a coisa aperta mesmo, vale um
telefonema. Haja afeto para dividir esses
tormentos!
Para isso tudo, no entanto, do outro lado da
telinha tem sempre alguém para ouvir, melhor,
para ler as desilusões e dar uma palavrinha de
consolo, um estímulo, um carinho. É uma corrente
elétrica que dá o choque de amor necessário para
a sobrevivência.
Um plantão 24 horas para emergências do coração.
Isar Maria Silveira
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