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QUEM FOSSE O GATO
Muitas vezes, não percebemos o quanto somos carentes de uma mão afagando
nossos cabelos, de encostarmos nossa cabeça no ombro de alguém do sexo oposto,
de ganhar um elogio, fazer e receber juras de amor, falar segredos que só os nossos travesseiros conhecem, de ganhar um colinho.
Tudo isso faz parte da nossa natureza. Não somos máquinas que são
programadas para fazer determinadas tarefas. Temos sentimentos, pensamos
e agimos conforme a nossa educação, nossa doutrina religiosa,
os nossos princípios de seres humanos.
Fazem uns vinte dias, eu estava saboreando uma mini pizza numa pizzaria
de propriedade de um casal de amigos, matando minha sede tomando
uma cervejinha - afinal de contas ninguém é de ferro, tinha passado
algumas horas em frente ao computador escrevendo meus contos.
Eu conversava com a Zuleica quando apareceu um gatinho pequenininho,
feinho, provavelmente atrás de comida, pois seu instinto é andar atrás de comida.
Nós seres humanos não somos tão diferentes: estamos sempre em busca
de algo que dê sentido à nossa existência.
A Zul colocou o Gatinho em seu colo e começou a acariciar o "bichano".
Começamos a notar como ele ficou quietinho em seus braços. Estava ali um
bichinho frágil,
indefeso, recebendo o que muitos anseiam em receber.
Comecei a meditar na importância de um ato de carinho na vida de qualquer
ser vivente que habita em nosso planeta.
Se um simples gatinho necessita de um afago, imagine nós seres humanos
mortais,
que estamos longe de nossa pátria eterna.
Pois saímos do Pai (Deus) e é nosso desejo e dever a Ele retornarmos.
Claro que tentamos saciar essa carência com falsos caminhos,
com os afazeres diários para esconder as nossas insuficiências.
Naquela hora eu senti inveja daquele bichano.
Quantas crianças, idosos, e mesmo os jovens e adultos bem asseados,
com um bom emprego, e uma vida estabilizada, não desejariam estar
no lugar daquele gato magro por alguns instantes?
Quantos males não seriam banidos se o ser humano fosse mais amado e menos complicado? Mas enquanto o individualismo, a aparência, o dinheiro, o poder
e o machismo reinarem em nosso dia-a-dia, eu e muita gente, sentiremos inveja
dos gatos e cachorros que são acariciados em nossa presença.
Graças a Deus, ainda existem pessoas como a Zuleica, que acolhem
os animais indefesos.
Mas, e nós? Será que vamos acabar pedindo aos gatos e cachorros
para que nos acariciem?
*******
Autor
Desconhecido
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