Buscando Ajuda...

 

Sexta feira, dia 19...Chegamos do Méier, tomamos um banho e rua mais uma vez rumo a delegacia tinha que conversar com eles, dizer a pista que havia sido dada, e conversar com o Delegado informar que a outra delegacia, ficaria responsável pelo caso, já que era a Delegacia da área.

 

Chegando lá, ninguém pode me ajudar, o Escrivão responsável pelo expediente, 

não tinha ido trabalhar. O Delegado estava doente. 

 

Resumindo: mais uma vez saio de lá, sem que ninguém tivesse me ouvido.

Sem que os policiais responsáveis pela investigação tomassem conhecimento 

do que estava havendo....E meu filho?


Resolvi agir por conta própria...tinha que descobrir realmente o que teria acontecido....Os meios legais de nada estavam adiantando. 

 

Fui para o escritório e dei alguns telefonemas, acionei alguns amigos, que me indicaram outros amigos, eu e meu irmão João Marcos  na rua dia e noite a dentro, andando, espalhando cartazes...oferecendo gratificação a quem desse uma informação que nos ajudasse. 

 

Foi uma batalha de nervos e física, que nem saberia como descrever...Não dormia, não comia, só entrava tomava e banho e saía....Procurando meu filho.


Méier novamente, direto aos hospitais locais, espalhando fotos dele, batalhão da policia, cartaz colocado no quadro de aviso, cada guarnição policial que saía, para patrulhamento de rua saía de lá com a foto de meu filho dentro do carro. 

 

Passamos o dia cutucando discretamente....Com as fotos espalhadas no local 

onde ele estaria, alguém tomaria uma atitude, nos daria alguma informação.

 

Assim foi-se o sábado, eu e o João Marcos, andando, cercando o bairro de fotos dele....Por volta meia noite de sábado, chego em casa cansada e sem ele. 


Tão logo o dia amanhece pegamos o carro e rumamos para uma outra delegacia especializada a Divisão Anti Seqüestro - D.A.S. 

 

Fui atendida por uma equipe fantástica, atenciosos, conversamos por horas, contei-lhes todo o meu drama na busca de meu filho, passei para eles as informações pertinentes ao caso, mas mesmo assim saí de lá me sentindo em total abandono...

 

Eles não poderiam fazer nada, pois teria que ter havido pedido de resgate em dinheiro para que eles atuassem no caso.

 

 Ou seja, aquela especializada, só atua em casos, onde quem é seqüestrado, ou a sua família, tem dinheiro. Porque, se há pedido de resgate, eles entram em ação e elucidam o caso em poucos dias. 

 

No caso do meu Ju...Nada poderiam fazer...Ele havia sido seqüestrado, mas não pediram dinheiro. O Pagamento que queriam era a vida dele!


Saindo de lá, me dirigi ao Instituto Médico Legal do Rio de janeiro.

 Que experiência...

 

Há um setor de desaparecidos, onde o serviço social cadastra as pessoas.  

Logo após ter sido feito a ficha de cadastro, fui encaminhada a um outro setor, onde me sentei ao lado de uma moça, que calmamente me mostrava na tela do computador fotos tiradas dos corpos que ali se encontravam, e que se adequavam as características físicas do meu filho....Uma tarefa dolorosa. 

 

Nunca pensei que teria que passar por isto...na saída me mandam colocar em um determinado local, um dos cartazes do meu filho, e meu coração quase pára. É um salão amplo na entrada,  com enormes paredes, e  já não há lugar para cartazes como o meu...

 

Choro ao ver e imaginar, quantas outras mães, quantas outras famílias sentem este mesma dor, este mesmo abandono... 

 

E o pior ainda estava por vir....


   

 


 

 

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