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Certa vez um astronauta em missão de
reconhecimento num pequeno planeta distante
muitos anos-luz de nossa galáxia procurava
amostras
de minério nativo quando encontrou em um buraco
bem cavado
pelo tempo uma pedra muito brilhosa, tanto que
lhe ofuscou a vista.

Decidiu então levá-la até sua nave a fim de
estudá-la.
Observando-a através do microscópio, percebeu
que ela pulsava como
se possuísse vida. Imaginando que pudesse ser
algum tipo de ovo
ou coisa parecida, coloco-a em uma incubadora.
Após algumas
semanas o pequeno ovo eclodiu e do seu interior
saiu uma forma
de vida muito semelhante a humana, revestida de
uma luz branca
que ia iluminado o ambiente conforme a criatura
crescia, com
um olhar penetrante e vivo.

Estarrecido o astronauta exclamou:
- o que é você?
Qual não foi o seu espanto quando o estranho ser
respondeu:
- eu sou a razão da sua existência.
- Como assim?
O ente alienígena começou então a falar sem
mover muito os lábios
como se não estivesse pronunciando som sem
definir bem as palavras,
porém o seu expectador podia compreender tudo o
que ele dizia
com muita clareza.

- há bilhões de anos-luz, nada havia. O vazio
era a única presença
no espaço. Então parte desse vazio foi se
condensando...até formar
um pequeno nada...esse nada deu origem a uma
pedra...e essa pedra
deu origem a mim!
Olhando ao meu redor percebi o
quanto aquele
nada era sem vida e monótono. Resolvi então
brincar com a minha
energia e criar coisas belas que me distraíssem.

Criei sóis, planetas, galáxias...e vi a vida
florescer em diversos lugares! Mesmo tanta
beleza tornou-se monótona já que eu descobri que
era
eterno e cansado de olhar tudo resolvi
descansar.
Voltei a minha pedra e lancei-me a sorte até
qualquer planeta
distante onde eu pudesse deixar o tempo passar.
Caí aqui onde
fiquei até hoje.

- E o que você pretende fazer agora que acordou
de novo?
- talvez destruir tudo.
- O que?. Indagou o astronauta.
- Destruir tudo e criar coisas novas.
- Você não pode fazer isso!
- Por que não?
- Há milhares de vidas em jogo.
- Haverá outras. Eu não posso ficar parado.
- Tente preencher seu tempo com outras coisas.
- Não há nada que preencha o meu tempo por que
o meu tempo é infinito.

Desiludido, porém convencido de que não haveria
como escapar
do fim iminente, o jovem astronauta pôs-se a
lagrimar, tirou a roupa espacial sem perceber
que ali, perto do onipotente ser, a atmosfera
estranha não lhe fazia mal algum e sentando-se
tomou entre
as mãos a foto de uma mulher.

A criatura indagou-lhe.
- Não entendo sua tristeza muito menos a sua
atitude
diante dessa foto. Quem é essa mulher que você
olha?
- É a minha esposa. O que me faz lamentar a
destruição
de tudo é o amor que eu tenho por ela.
- Amor? O que é isso?
- É o sentimento que torna alguém ou alguma
coisa
especial para nós.
- Fale-me mais sobre isso.

E horas se passaram enquanto o astronauta cheio
de vida contava
ao ente superior sobre a beleza de sua
experiência humana com
o amor até que a criatura disse:
- não imaginava que a minha criação pudesse ter chegado a um
estágio tão avançado de evolução a ponto de
revelar tal sentimento.

Vale então a pena observar o que o homem é capaz
de fazer movido
por esse tal amor. Que ele decida o que fazer
com o que eu criei.
Esta será a melhor maneira para preencher o meu
perene tempo.
Vou para estrelas longínquas e delas esperarei
ansioso pelo
crescimento desse sentimento em toda a minha
criação.

Sem dizer mais uma palavra, a reluzente criatura
elevou-se levando
consigo a sua luz e deixando um breu intenso ao
redor do astronauta
que logo começou a sentir falta de ar e
irritação na pele.
Movido pelo impulso vestiu-se rapidamente de seu
traje e procurou
enxergar ainda a visão estupenda com quem
acabara de ter um longo diálogo, só conseguiu
porém ver ao longe no céu um pequeno
brilho que assemelhava-se a uma estrela.

Refazendo-se da experiência única que teve, o
jovem homem do espaço caindo em si olhou para a
foto de sua amada, respirou bem forte
dentro de seu capacete e concluiu:
- O amor talvez não seja a única razão de nossa
existência...Mas, sem dúvida, é o responsável por sua
continuação.
Feliz Dia do Amor!!!
 
Jocy M. Lopes (adaptado de uma história de
Maurício de Souza)
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