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Cinderela,
A Gata Borralheira
"Havia quatro irmãs que viviam numa
pequena casa. As três mais velhas
usavam
vestidos de seda e tinham rendas em todas
as saias. A mais moça, entretanto, andava
esfarrapada e fazia todo o serviço da
casa. Era, por isso, chamada Cinderela, a
gata borralheira.
A mais velha era alta e magra, tinha nariz
comprido e queixo pontudo.
A
segunda era baixa e gorda, tinha nariz chato e
era vesga. A terceira era
coxa
e curvada para a frente. Além disso, era
linguaruda. Cinderela, com
todos
os remendos, era bonita e delicada. Tinha
cabelos dourados e olhos azuis.
Certo
dia, um arauto do rei apareceu na cidade,
empunhando uma trombeta
e
anunciando:
- "Atenção, atenção!! Daqui a quinze
dias, Sua Alteza Real, o Príncipe,
completará vinte e um anos. Sua Majestade, o
Rei, dará um grande baile
para
o qual estão convidadas todas as moças da
cidade".
- Usarei um vestido rosa,
disse a irmã mais velha.
- Eu irei de verde, informou a segunda.
- Meu vestido será amarelo, continuou a
terceira.
- Irmãs, suplicou Cinderela, se me emprestassem
um vestido, eu poderia
ir
ao baile.
- Você ir ao baile? Onde já se viu uma coisa
dessas? Disse a mais velha.
- Uma gata borralheira no palácio?
Era
só o que faltava! caçoou a segunda.
- você é muito criança, concluiu a
terceira.
Na noite do baile, todas saíram e Cinderela
ficou chorando à beira do fogão.
De
repente, ouviu um ruído semelhante a um bater
de asas a seu lado. Olhou, assustada. À sua
frente, apareceu uma mulher, segurando uma
varinha.
- Por que está chorando? Perguntou a mulher.
-
Diga-me, porque está chorando? insistiu ela.
- Minhas irmãs foram ao baile do Rei e eu
fiquei .
Só
tenho este vestido, velho e remendado.
-
Chorando, não poderá mesmo ir ao baile. Levante-se,
e faça tudo o que eu mandar.
-
Há ratos nas ratoeiras? Perguntou a senhora.
Cinderela, muito admirada com a pergunta,
respondeu: Há alguns ratos e camundongos.
- Apanhe as ratoeiras e leve-as para o jardim.
Quero
também a maior abóbora que encontrar
na
horta.
Cinderela
fez exatamente o que ela mandou.
A
fada tocou nas ratoeiras e na abóbora com a
varinha mágica e os ratos viraram seis soberbos
cavalos pretos. Os camundongos viraram dois
cocheiros elegantemente vestidos e a abóbora
transformou-se numa linda carruagem dourada.
Depois,
tocou o vestido de Cinderela com a varinha, e
aquele pobre vestidinho remendado
desapareceu, foi substituído por um
riquíssimo vestido de baile.
Em seus pés
apareceram lindos sapatinhos de cristais.
- Cinderela, disse a senhora. Vá e divirta-se,
mas, preste atenção: quando o relógio der
meia-noite, volte para casa sem demora. Se não
o fizer, os cocheiros, voltarão a ser
camundongos,os cavalos voltarão a ser
ratos, e a carruagem será novamente uma abóbora.
E o seu lindo vestido, voltará a ter
remendos.
- Não me esquecerei, prometeu Cinderela, mas,
quem é a senhora?
Sou sua fada madrinha.
Lembre-se de tudo o que lhe disse.
Preste
atenção ao relógio.
Não
se esqueça!!!
Quando
ela entrou no salão, o príncipe foi ao seu
encontro e não dançou com mais ninguém.
Quando o relógio deu a primeira badalada da
meia-noite, Cinderela não ouviu. Ao bater a
segunda, ela lembrando-se de tudo, deu um
grito
e saiu correndo.
Cinderela fugiu correndo pelas escadarias que
levavam aos jardins
justamente quando o relógio
dava a última pancada da meia-noite.
O
príncipe veio correndo atrás dela, mas não
conseguiu alcançá-la.
Nas escadarias,
encontrou apenas uma pobre moça, chorando na
escuridão.
Seis ratos pretos iam correndo à
procura de queijo, e dois camundongos
os
seguiam.
Uma
abóbora grande rolava pela rampa.
O príncipe olhou bem para todos os lados, mas não
viu a princesa.
Muito
triste, subiu os degraus. Alguma coisa que
brilhava como uma jóia.
Era
um sapatinho de cristal, guardou-o no bolso, com
muito carinho, na esperança de, por meio dele,
encontrar a princesa.
O
Rei enviou mensageiros para todos os lados do
reino, à procura de uma
moça,
cujo pé fosse tão pequenino que coubesse
naquele sapatinho.
No dia seguinte, Cinderela, pensando no príncipe sorria
feliz. Suas irmãs estavam mais azedas do
que nunca, não falavam noutra coisa, senão na
estranha princesa que estivera no baile.
Os emissários do Rei viajaram pelo país.
Trombetas douradas brilhando
ao
sol, anunciavam: "Aquela que calçar o
sapatinho, será a esposa do príncipe".
Todas as moças da cidade calçaram o sapatinho,
mas ele não
servia
em nenhuma.
A irmã mais velha foi a primeira a aparecer, mas
apenas seu dedo grande
coube
no sapato.
A
segunda experimentou, mas o calcanhar ficou do
lado de fora.
Veio
a terceira, mas só a metade do pé entrou.
- Deixe-me experimentar, pediu Cinderela.
- Você, uma princesa! zombaram as irmãs.
Rainha
do borralho!!! Isso sim, caçoaram elas.
Enquanto elas riam, o chefe dos mensageiros
ajoelhou-se à frente de
Cinderela e calçou-lhe
o sapatinho que coube perfeitamente em seu pé.
- A Senhora será a esposa do príncipe.
Cinderela
foi levada ao palácio.
O príncipe, quando a viu sorriu, ali estava
aquele rostinho tão querido que ele ansiava
tanto rever. Por ordem do Rei, foi anunciado que
o casamento se realizaria no dia seguinte. A
festa durou dez dias e dez noites. As irmãs de
Cinderela dançaram só com os empregados
da estrebaria.
Cinderela
e o príncipe formaram o casal mais
feliz
do mundo."
(adaptação
de um conto de Katharine Gibson)
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