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Tenho cabelos
vermelhos, pintados, para esconder os fios
brancos.
Não me lembro exatamente em que ano eles
começaram a branquear...
Tenho algumas rugas em volta dos olhos, também
não me recordo quando
elas começaram a aparecer.
Tento disfarçá-las, tantas novidades no campo da
dermatologia, achei por bem aproveitá-las.

Do corpo não cuido quase, só recentemente entrei
para uma academia por ordem médica.
Ele me disse que na minha idade preciso de
exercícios. Mais falto mais do que vou,
não gosto de fazer ginástica.
Das minhas unhas
cuido semanalmente,
penso que elas são uma porta de visita.
Unhas maltratadas causam uma péssima impressão.
De uns dois anos pra cá descobri os cremes e aí
compro um aqui, outro ali e no final não uso
nenhum, mas compro, só de olhá-los na
prateleira já percebo que as rugas se
retraem.
Sou assim, vaidosa,
mas não sou em excesso, penso que sou na medida
certa, na medida correta para uma mulher.

Enfim os anos passam e as marcas que eles deixam
em nós, não temos como conter.
Nem pretendo isso.
Acho que cada marca que meu corpo
carrega tem uma linda história.
Às vezes me pego na frente do espelho
descobrindo uma nova ruguinha e já me coloco a
pensar o que a causou.
Depois reencontro com outra que já está lá
vincada há anos e me recordo que ela
apareceu quando perdi um grande amor.
Poderia enumerar também a história
de cada fio de cabelo branco.
Foram filhos, maridos, amigos que colocaram eles
ali.
Não quero me desfazer de nenhuma dessas marcas,
apenas amenizá-las, acho que mereço isso.
A vida me deve isso.

Atualmente a
parte que merece mais
atenção minha tem sido a cabeça.
Tento todos os dias colocá-la no lugar,
equilibrá-la, alimentá-la com sonhos e alegrias.
Corpo e mente caminham juntos, se um estiver em
estado lastimável o outro provavelmente vai se
deteriorar.
Não escondo minha idade, não adiantaria falar
que tenho trinta e cinco e apresentar uma filha
de vinte e sete.
Portanto eu confesso, tenho quarenta e oito
anos.
Metade deles, bem vividos, a outra metade muito
sofridos.
Mas é exatamente aí que está o encanto da minha
idade.

Conheci de tudo um pouco, das lágrimas aos
sorrisos e ambos me fizeram ser essa pessoa que
sou hoje.
Ficaram as rugas no rosto e na alma, mas também
ficaram sorrisos em ambos.
Minhas rugas mais bonitas são aquelas marcas de
expressão que eu adquiri por tanto sorrir,
muitas vezes, quando o coração chorava.
SILVANA DUBOC
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